
Mateus 23.27
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!
Todos sabemos e conhecemos a máxima que reza sobre ter a pessoa um pouco de poder e deixar-se, verdadeiramente, ser conhecida. Pois é!
As relações pessoais de companheirismo e amizade correm grande risco quando o poder é concedido a uma das partes.
Com o poder eclesiástico e pastoral também o é. Parece que ao que o possui se lhe cabem palavras e autoritarismos inimagináveis numa relação sem o tal.
Não se está falando do exercício natural da liderança que deve ser imparcial e que é revestido de protocolos, mas da pretensa oportunidade de um pastor vir a ser líder sobre outros pastores e esquecer-se dos bons modos do diálogo, do afastamento do ouvir antes de falar, do querer demonstrar força acompanhado de outros líderes, do preconceituar negativamente tudo no outro, do apropriar-se de imunidade pastoral para dizer o que se quer, na hora que se quer, para quem ele quer.
O poder revela o que a fala mansa do dia a dia esconde; ressalta o olhar superior e a rispidez que não é encontrado no semblante amistoso dos encontros informais (faz lembrar do olhar penetrante e cativante do gato de botas, do desenho, mas que escondia um ser capaz de atitudes ferozes).
O poder faz esquecer a naturalidade de uma conversa reveladora e confessional antes de o tê-lo, fazendo apropriar-se da débil condição do momento do outro para deturpar verdades outrora tão impactantes, para transformá-las em argumento de inquisição. Deve haver um cuidado com aqueles que ouvem um dia na condição de impressionados e compreensivos com os relatos, pois estes mesmos podem vir a estar no poder amanhã e enxergarão com outros olhos os mesmos fatos que foram compartilhados
Nem todos são assim, é verdade. Mas deve-se tomar cuidado com os que se tornarem. Alerta para o princípio popular: “cuidado com o boi sonso.”