Cristianismo & Política

Cristianismo e politica

Em 1983, Robinson Cavalcanti apresenta ao público o que seria um referencial progressista da proposta para a política evangélica brasileira, ou uma crítica aberta ao conservadorismo americanizado que dominava o mundo e, em especial, o Brasil.

Se não entendido corretamente, poderia ser execrado por ser considerado de viés puramente esquerdista, sem utilidade para a direita mais conservadora. Mas, não!! Antes, foi uma lança a penetrar as barreiras teológicas protecionistas e questionar a subserviência de uma teologia sistemática puramente estrangeira e dominante.

A proposta de um evangelho integral foi erroneamente taxado como um iluminismo escatológico, mas logo percebido como complemento de uma prática igrejeira contemplativa e anestésica. Era preciso a igreja despertar do seu indiferentismo social e arriscar a teologizar no campo dos medos e necessidades mais prementes do ser humano, onde eles se encontravam, isto é, na sociedade

Mas, como isso seria possível sem um engajamento político? Não seria! Então, viu-se a oportunidade de se reler a Bíblia com a ótica da histórica política bíblica, cada um à sua época, mas que seriam readaptados para legitimarem as candidaturas hodiernas.

Assim, o que me fascinou na leitura da primeira edição de CRISTIANISMO & POLÍTICA, é o combustível para uma releitura agora na 4ª. edição, de 2002, da editora Ultimato, ou seja, a possibilidade de alargar a visão da referência política no texto bíblico, bem como a compreensão da implicação da participação, sobretudo evangélica, do cristão na política conservando sua idoneidade crítica e seu caráter e ética incontaminados, assim como seu temor a Deus irredutível.

Esta não é uma leitura para se concordar com tudo, antes aguçar o senso crítico. Por isso é que julgo ser necessário que progressistas e conservadores, extremistas ou moderados, não se abstenham deste confronto intelectual.

Não há motivos para o apolitismo e alienação evangélicos proposto por uma escatologia que nos proteja dos avanços sociais e culturais esquerdistas, tampouco para a co-beligerância em nome de temas tradicionais e conservadores de uma direita dispensacionalista.

Afinal, não podemos entregar o filé da sociedade nas mãos do diabo, assim, tão displicentemente!!

Pr. Geraldo H A Santos.

Publicado por Geraldo Santos

Diretor Comercial da Editora Divas Diretor Presidente do Portal NCOISASSP Pastor da ICEB

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